Meu trabalho nasceu do encontro entre escuta, presença e um interesse genuíno pela complexidade humana. Gosto de acompanhar processos, de sustentar perguntas, de perceber o que vai se revelando aos poucos quando alguém encontra espaço para existir com mais verdade.
Ao longo da minha trajetória, fui construindo uma forma de trabalho muito ligada ao corpo, ao vínculo e à singularidade de cada pessoa. Entendo o corpo não apenas como aquilo que nos sustenta fisicamente, mas como lugar de memória, expressão, defesa, criação e encontro. Interessa-me perceber como ele fala, como se organiza, como se protege e como pode, aos poucos, encontrar caminhos mais vivos e mais inteligentes de presença no mundo.
Tenho uma relação antiga com a arte, com a dança e com as linguagens sensíveis do corpo. Essas experiências também atravessam meu modo de compreender o cuidado. Acredito na potência do movimento, da expressão e do uso inteligente do corpo como caminhos de ampliação da escuta, da autorregulação, do contato e da criatividade. Muitas vezes, há aspectos da experiência humana que não se deixam alcançar apenas pela fala — e é justamente aí que o corpo, o gesto, o ritmo e a sensibilidade podem abrir novas possibilidades.
Minha trajetória profissional não foi linear. Em outro momento da vida, atuei no Direito, experiência que também contribuiu para a formação do meu olhar ético e do meu compromisso com a dignidade humana. Com o tempo, fui reconhecendo que meu caminho se construía de forma mais inteira na psicologia, especialmente em uma clínica que pudesse integrar escuta, corpo, relação e cuidado.
Trabalho principalmente com adolescentes, famílias, pessoas autistas e outras neurodivergências, sempre com atenção à singularidade de cada percurso. Busco construir espaços acolhedores, onde não seja preciso apagar a diferença para criar vínculo, e onde o cuidado possa acontecer com respeito, presença e profundidade.
Também sou alguém movido pelo estudo. Gosto de aprender, de pesquisar, de articular diferentes campos do conhecimento e de transformar aquilo que estudo em algo transmissível, vivo e útil para outras pessoas. Por isso, além da clínica, tenho grande prazer em oferecer cursos, palestras e espaços de formação. Ensinar, para mim, não é apenas compartilhar conteúdo, mas criar encontros em que o conhecimento possa circular com sentido, sensibilidade e compromisso com a vida real.
Meu trabalho é atravessado por esse desejo: unir escuta, corpo, pensamento e cuidado de uma forma viva. Fazer da clínica e da transmissão lugares de presença, elaboração e transformação.